Predisposição Genética e Demência: O seu DNA é o seu destino?

Demencia e os fatores geneticos.

Muitas pessoas vivem com o receio de desenvolver doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer, ao observarem o histórico familiar. A pergunta que mais ouvimos no consultório é: “Doutor, minha mãe teve demência, eu também terei?”.

Neste artigo, baseado nas orientações do Dr. Lauro Sideratos, neurologista, vamos explorar a diferença entre ter um risco genético e manifestar a doença, e como suas escolhas de vida podem “silenciar” genes indesejados.

Fatores de Risco Modificáveis vs. Não Modificáveis

Na jornada de prevenção da saúde cerebral, dividimos os riscos em dois grupos principais:

  1. Fatores Modificáveis: São aqueles que podemos controlar, como alimentação, atividade física, controle da diabetes e hipertensão, e sono de qualidade.
  2. Fatores Não Modificáveis: Aqueles que herdamos e não podemos alterar, como a idade e a nossa carga genética.

Embora não possamos mudar nosso DNA, a ciência moderna, através da epigenética, mostra que o ambiente e o estilo de vida influenciam diretamente se um gene será “ligado” ou “desligado”.

O Papel da Genética E as Demências

O histórico familiar é, de fato, um fator importante. Existem genes específicos que aumentam a probabilidade de um indivíduo apresentar declínio cognitivo. No entanto, o Dr. Lauro Sideratos enfatiza um ponto crucial: Genes não determinam destinos.

Ter uma predisposição genética significa que você tem uma vulnerabilidade maior, mas não é uma sentença. Manter hábitos saudáveis pode fazer com que, mesmo que você possua um gene propenso à doença, ele permaneça “quieto” ou que os sintomas demorem décadas extras para surgir.


O que são os Genes APOE e APOE4? (Entenda o Risco Genético)

Para quem busca entender a ciência por trás da demência, é essencial conhecer a Apolipoproteína E (APOE).

O Gene APOE

O gene APOE fornece instruções para a produção de uma proteína que ajuda a transportar colesterol e outros tipos de gordura na corrente sanguínea. No cérebro, essa proteína desempenha um papel fundamental no reparo de neurônios e na limpeza de resíduos proteicos.

As Variantes: APOE2, APOE3 e APOE4

Existem três alelos (versões) principais deste gene:

  • APOE2: A variante mais rara, que parece oferecer proteção contra o Alzheimer.
  • APOE3: A mais comum, considerada neutra em relação ao risco de demência.
  • APOE4: A variante associada ao aumento do risco de Alzheimer de início tardio.

Por que o APOE4 preocupa?

Se uma pessoa herda uma cópia do APOE4, seu risco aumenta. Se herdar duas cópias (uma do pai e uma da mãe), o risco de desenvolver Alzheimer pode ser até 10 vezes maior.

A presença do APOE4 está ligada a uma maior dificuldade do cérebro em limpar as placas de proteína beta-amiloide, que são características da doença de Alzheimer. Contudo, é importante ressaltar que muitas pessoas com APOE4 nunca desenvolvem a doença, enquanto outras sem o gene podem desenvolvê-la. Por isso, o foco deve ser sempre nos fatores que podemos controlar.


Conclusão: Prevenir é o Melhor Caminho

A ciência ainda não possui terapias que modifiquem o nosso DNA diretamente, mas possuímos todas as ferramentas para modificar como nosso corpo reage a ele. O segredo para uma mente sã na longevidade é “não acordar os genes ruins”.

Se você tem histórico familiar, o acompanhamento com um neurologista é fundamental para traçar uma estratégia de prevenção personalizada.

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Dr. Lauro Sideratos

Acredito que condições neurológicas crônicas são complexas e rodeadas de mitos e dúvidas, e por isso devem ser tratadas de modo incremental.